Humana

A INVEJA, O CIÚME E AS FOFOCAS

Sobre as “fofocas”, o papa Francisco já falou em várias ocasiões: em sermões na Casa Santa Marta, no encontro com a Cúria Romana em 21 de dezembro, pedindo “objeção de consciência” contra elas. A mesma exortação foi feita novamente na homilia da missa de 23 de janeiro, durante a qual, além das fofocas, o papa alertou contra duas outras más atitudes: a inveja e o ciúme. Esse “tripé” de maledicência, ressentimento e rivalidade é, de acordo com o Santo Padre, o que “destrói as comunidades cristãs”. Não por acaso, o papa o recorda no sexto dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, depois de denunciar, ontem, o “escândalo” das “divisões” que ainda existem entre os cristãos.
Nesta reflexão, Francisco partiu da primeira leitura do livro de Samuel, que fala da exultação dos israelitas pela vitória sobre os filisteus, graças à coragem e astúcia do pequeno Davi. Nem todos, no entanto, elogiam o jovem herói. Aquele que para as mulheres é motivo de alegria, para o rei Saul é fonte de tristeza e de inveja. “A grande vitória começa a se tornar derrota no coração do rei”, disse o papa: naquele coração, tinha entrado o “verme do ciúme e da inveja”.
É natural traçar um paralelo com Caim, cuja alma foi corroída pela amargura em relação com o irmão Abel. E, como aconteceu com os primeiros irmãos da história, Saul também decidiu que a melhor solução era matar Davi. O rei, explicou o pontífice, “em vez de louvar a Deus como as mulheres de Israel por esta vitória, prefere se fechar em si mesmo, se amargurar” e “cozinhar os seus sentimentos no caldo dessa amargura”.
Isto é o que “o ciúme faz em nosso coração”, advertiu o Santo Padre: “é uma ansiedade ruim, que não tolera que um irmão ou irmã tenha algo que eu não tenho”. Sem percebermos, “ele nos leva a matar (…) Foi por essa porta, pela porta da inveja, que o diabo entrou no mundo”, lembrou o papa.
“O ciúme e a inveja abrem as portas para todas as coisas ruins. E dividem a comunidade”. Quando uma comunidade cristã “sofre de inveja, de ciúme, ela termina dividida: um contra o outro. É um veneno forte. É o veneno que encontramos na primeira página da Bíblia com Caim”.
Há dois sintomas “muito claros” desta doença que afeta o coração humano: a “amargura” e as “fofocas”. “A pessoa invejosa, a pessoa ciumenta, é uma pessoa amarga. Ela não sabe cantar, não sabe elogiar, não sabe o que é alegria, está sempre olhando para “o que o outro tem e eu não tenho”. E isso a leva à amargura, uma amargura que se espalha por toda a comunidade”.
Pessoas assim  “são semeadoras de amargura. Um não tolera que o outro tenha alguma coisa.”
A “solução”, para elas, é rebaixar o outro, “para que eu fique um pouco mais alto”. E a ferramenta para isso é a fofoca. “Olhem bem e vocês vão ver que por trás da fofoca sempre existe ciúme e inveja”.
As fofocas “são as armas do diabo”, reiterou o bispo de Roma: “Quantas belas comunidades cristãs foram destruídas pelo ressentimento e pelas fofocas que entraram na alma de um único membro da comunidade! Não é exagero: uma pessoa que está sob a influência da inveja e do ciúme mata”, disse o papa. E o apóstolo João também diz: “Todo aquele que odeia o seu irmão é um assassino”, e “o invejoso, o ciumento, começa a odiar o seu irmão”.
“Rezemos pelas nossas comunidades cristãs, para que essa semente da inveja não seja semeada entre nós, para que a inveja não tenha espaço em nosso coração, no coração das nossas comunidades, e para podermos seguir em frente no louvor ao Senhor, louvando o Senhor com alegria. É uma grande graça, a graça de não cair na tristeza, no ressentimento, na inveja e no ciúme”.

 

Fontes:

  • ZENIT (Agência Internacional Católica de Notícia)
  • Mensagem Cristã – Ano XVII – Seu dia melhor com Cristo. E-mail: msg_crist@hotmail.com

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Meditação: A grandeza da humildade
Senhor, tudo que fizestes é belo e é bom! Desde a pequenina pedra, ao cantar dos pássaros; ao murmúrio das águas… Estás presente no vento, na luz e no calor do sol, na beleza e no vigor das plantas… Sim, Senhor, todas as vossas obras são belas; porém, mais belo e perfeito é o ser humano, porque criado à vossa imagem e semelhança. Nenhuma outra criatura se compara ao homem e à mulher. Entretanto, nos chamas à humildade, a não buscarmos ser mais do que somos, porque Vós já nos destes tudo e nos fizestes plenos. Convida-nos à humildade das pedras, ou melhor, das pedrinhas: elas são arrastadas pela correnteza, pisadas por homens e animais, batidas, esfoladas e lascadas por outras pedras maiores que elas; são transportadas de um lado para outro, enfim, elas renunciam à vontade própria e se entregam ao querer dos outros. Contudo, sabem que, sendo assim a cada vez desinstaladas de seu estado atual, enquanto vão sendo lapidadas de tantas formas, vão se tornando mais puras, vão se revelando outros aspectos de sua beleza, porém, sem deixarem de ser elas mesmas: pedra!
Eis aí a grandeza da humildade: Por ela Vós nos fazeis voltar ao essencial daquilo que somos, o qual é em si e por si mesmo esplendoroso, presente de Deus!
Obrigado, Senhor!