Espiritual

  

REFLEXÃO SOBRE FILIPENSES 2,6 -11

 

“Ele, estando na forma de Deus

 não usou de seu direito de ser tratado como um Deus
mas se despojou,
tomando a forma de escravo.
Tornando-se semelhante aos homens
e reconhecido em seu aspecto como um homem
abaixou-se,
tornando-se obediente até à morte,
à morte sobre uma cruz.
Por isso Deus soberanamente o elevou
E lhe conferiu o nome que está acima de todo nome,
a fim de que ao nome de Jesus todo joelho se dobre
nos céus, sobre a terra e debaixo da terra,
e que toda língua proclame que o Senhor é Jesus Cristo
para a glória de Deus Pai.”
                               (Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 4ª impressão, 2006)
 
Paulo exorta os cristãos de Filipos a terem “o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (cf. Fl 2,5). Apela ao coração deles, com uma forte carga emocional, chamando todos (insiste nisso) à unidade, à comunhão de pensamentos, sentimentos e no agir. Certamente ele via a paz ameaçada ante as divisões no seio da comunidade. Na verdade, o apóstolo dá os fundamentos da vida fraterna, que se baseia na concórdia, na união e no cuidado mútuo.  Interessante notar que ele não evoca seu próprio exemplo, como o faz em Fl 3.17, mas apresenta-lhes como modelo Aquele a quem haviam aderido pela fé, ante a pregação do Evangelho: Jesus Cristo. O Senhor no qual creem e seguem, é o Filho de Deus que se encarnou e se humilhou até morrer numa cruz; a conduta deles não pode ser diferente disso.   Congregados na comunhão ccom Cristo devem esforçar-se para viver na caridade desinteressada, “julgando cada um os outros superiores a si mesmo” (cf. Fl 2.3).
Toda esta reflexão é muito bela e profunda. Todavia, se não mergulharmos no seu significado para nossa vivência humana e cristã na atualidade, fica apenas como um bonito texto em nossos livros de teologia. Faz-se necessário encarnar essa proposta de vida, exigente, mas possível. As palavras do apóstolo Paulo interpelam também a nós, no hoje de nossa caminhada pessoal e comunitária. Como entre os filipenses, as sementes de disputas e divisões existentes em nossas comunidades eclesiais e na sociedade, colocam em risco a paz em nossas relações. A questão, porém, está no interior de nós mesmos. Aqui, podemos lembrar o que Jesus disse: “Com efeito, é de dentro, do coração dos homens, que saem as intenções malignas” (cf. Mc 7,21). Humildade é fruto de uma decisão e exige conversão. Recordando também o lava-pés, ouvimos a voz do Senhor, que diz: “Se, portanto, eu, o Mestre e o Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (cf. Jo 13, 14-15). Se o caminho de Cristo é o nosso, semelhantemente a kenose de Cristo é a nossa. Paulo entendeu bem isso. E viveu. Por este motivo, pôde ensinar aos filipenses. Num mundo que cada vez mais nos apresenta o individualismo e uma falsa autonomia como um bem e um valor, somos chamados a seguir pelo lado oposto. É o caminho do despojamento, em favor de nós mesmos e dos outros, que conduz à verdadeira vida. Não foi por acaso que Jesus também disse: “Se compreenderdes isso e o praticardes, felizes sereis” (cf. Jo 13, 17). Já temos o testemunho do Senhor; sigamos suas pegadas.  
A paz e a misericórdia dos Sagrados Corações esteja com você.
Paulo Bastos, CCVE


SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus é uma devoção praticada por toda a Igreja   Católica, que se comemora em todas as primeiras Sextas – feiras de cada mês. Consiste na veneração do Coração de   Jesus.
A origem desta devoção deve-se a Santa Margarida   Maria Alacoque, religiosa da Congregação Ordem da Visitação. A Santa   Margarida Maria teve extraordinárias revelações por parte de Jesus Cristo,   que a incumbiu pessoalmente de divulgar e propagar no mundo esta piedosa   devoção. Foram três as aparições de Jesus: a primeira, deu-se a 27 de   Dezembro de 1673, a segunda em 1674 e, a terceira, em 1675.
Jesus deixou doze grandes promessas às pessoas   que, aproveitando-se da sua Divina misericórdia, participassem das comunhões   reparadoras das primeiras sexta-feiras. Disse Ele, numa dessas ocasiões a   Santa Margarida: “prometo-te,  pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor todo poderoso do meu Coração,   conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses   consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade,   nem sem receberem os Sacramentos, e Meu Divino Coração lhes será seguro refúgio nessa última hora”.

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, TENDE MISERICÓRDIA DE TODAS AS ALMAS!

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 CORAÇÃO DE JESUS, FONTE DE VIDA

INTERVENÇÃO DE BENTO XVI NO DIA 1 DE   JUNHO DE 2008Neste domingo, que coincide com o início de   Junho, eu gostaria de recordar que este mês está tradicionalmente dedicado ao   Coração de Cristo, símbolo da fé cristã, particularmente amado, tanto pelo   povo como pelos místicos e pelos teólogos, pois expressa de uma maneira   simples e autêntica a “boa notícia” do amor, resumindo em si o   mistério da Encarnação e da Redenção. E na sexta-feira passada celebramos a   solenidade do Sagrado Coração de Jesus, terceira e última das festas que   seguiram o Tempo Pascal, após a Santíssima Trindade e o Corpus Christi.Esta sucessão faz pensar em um movimento que se   dirige ao centro: um movimento do espírito guiado pelo próprio Deus. Desde o   horizonte infinito do seu amor, de fato, Deus quis entrar nos limites da   história e da condição humana, tomou um corpo e um coração, para que possamos   contemplar e encontrar o infinito no finito, o Mistério invisível e inefável   no Coração humano de Jesus, o Nazareno.
Em minha primeira encíclica sobre o tema do amor,   o ponto da partida foi precisamente o olhar dirigido ao lado transpassado de   Cristo, do qual João fala no seu Evangelho (cf. 19, 37). E este centro da fé   é também a fonte da esperança pela qual fomos salvos, esperança que foi o   tema da minha segunda encíclica.
Toda pessoa precisa de um “centro” para   sua própria vida, um manancial de verdade e de bondade ao qual recorrer   frente à sucessão das diferentes situações e no cansaço da vida cotidiana.   Cada um de nós, quando faz uma pausa em silêncio, precisa sentir não somente   o palpitar do coração, mas, de maneira mais profunda, o palpitar de uma   presença confiável, que pode ser percebida com os sentidos da fé e que, no   entanto, é muito mais real: a presença de Cristo, coração do mundo. Eu vos   convido, portanto, a renovar no mês de Junho sua própria devoção ao Coração   de Cristo, valorizando também a tradicional oração de oferecimento do dia e   tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja.
Junto ao Sagrado Coração de Jesus, a liturgia nos   convida a venerar o Coração Imaculado de Maria. Confiemo-nos sempre a ela com   grande confiança. Eu gostaria de invocar a intercessão materna de Nossa   Senhora mais uma vez pelas populações da China e de Mianmar, atingidas por   calamidades naturais, e por aqueles que passam pelas numerosas situações de   dor, doença e miséria material e espiritual que marcam o caminho da   humanidade.

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