Do livro “Sermões” de Santo Agostinho (14,9)

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Do livro “Sermões” de Santo Agostinho (14,9)
“Cristo nasceu numa humilde estalagem, envolto em trapos e deitado numa manjedoura. Então o Senhor do céu e a terra, criador dos anjos, autor e feitor de todas as coisas visíveis e invisíveis, mama, chora, é alimentado, cresce, preserva a idade e esconde a majestade.
Depois é confinado, desprezado, flagelado, cuspido, golpeado, coroado com espinhos, pendurado numa cruz e perfurado com lâminas. Quanta pobreza existe!”
O que conseguimos entender por “Senhor do céu e a terra, criador dos anjos, feitor de todas as coisas visíveis e invisíveis”?
A nossa compreensão sobre quem é Deus ainda é muito pequena. Sei que alguns já entendem bem a dimensão, a grandeza, a beleza, o poder, a realeza e tudo mais que podemos dizer Dele.
E o que somos? Admito que muitos conhecem também a nossa fragilidade, humanidade, pobreza, pequenez e tudo que nos identifica como inferior a esse Deus que tudo sabe e tudo vê.
O que nós ainda não aprendemos é porque depois Ele é confinado, flagelado, cuspido, golpeado, coroado de espinhos, pendurado numa cruz e perfurado com lâminas. Para quê? Por quê? Tem que valer a pena, tanta humilhação e tanto sofrimento! O que não aprendemos ainda, ou muitos de nós ainda não percebemos é que foi para a nossa salvação.
Mas isso nós já deveríamos saber de cor. Mas não conseguimos ainda viver essa Salvação. Se acreditarmos de fato em tudo que foi mencionado por Santo Agostinho, tudo tem que ser diferente! Temos que acreditar que o homem pode se tornar mais humano, entendendo as dificuldades que um relacionamento causa; que os matrimônios podem se tornar mais sólidos; que a família é a célula da sociedade e que pode tornar-se base fortalecida para essa mesma sociedade que hoje se apresenta caída; que a água do planeta pode ser recuperada…
Mas tudo isso depende de cada um de nós. É um trabalho individual e intenso. Não precisamos esperar que venha outro dilúvio, ou que nossas cidades sejam destruídas como Sodoma e Gomorra ou que vários tsunamis nos surpreendam, para abrirmos os olhos. Ou que a sociedade seja toda eliminada com balas perdidas, guerras, ações terroristas incentivadas até pelos meios de comunicação, tal como o depoimento de um jovem que matou 41 pessoas inocentes pelo bel prazer de viver perigosamente com adrenalina de filmes de ação: aprendi nos filmes…
O exemplo já foi dado por Deus que se deixou ser humilhado, pagando um preço absurdo para que fôssemos poupados.
Tem que começar em nós e por nós!  Essa é a consciência que devemos ter! Como João Batista anunciou, precisamos de conversão. Se ainda acreditamos nesse Deus maravilhoso, convertamos e vamos formar um exército de crentes que querem ver resultados do sofrimento assumido por Deus.
Não vamos duvidar que as crianças possam se tornar dóceis, com o nosso exemplo, menos consumistas, mais amáveis, menos individualistas, para que possam vir a ser jovens saudáveis, sem depressão, sem descontentamento, sabendo que cruz se carrega, e não se joga para os ares mas que a aprendam a vivê-la. E  que se tornem adultos que saibam respeitar os limites dos outros, sem intolerância, que saibam admirar a natureza e respeitá-la como presente do céu, cuidando do que foi criado para nós.
É um grande desafio!
Não podemos duvidar que ainda temos tempo de tudo isso se assumirmos e continuarmos a criação,  não deixando que nos percamos no caminho, acreditando que o Forasteiro vai chegar, vai caminhar conosco e vai nos mostrar a direção. Vamos ver resultados se cremos que Deus é maior do que qualquer problema e que o inimigo, não tem poder sobre nós, se não dermos autoridade a ele.
É um grande desafio!
Sabermos que a cada dia temos chance de mudança, que a chance só acaba quando morremos, que temos tempo ainda de mergulhar em nós mesmos, de nos conhecermos, de mudar o que precisa ser mudado, de avançar como um exército em ordem de batalha. Deus tem repetido seus pedidos e suas falas, insistentemente. Sinal que ainda não desistiu de nós e nunca vai desistir, porque seu amor por nós é imenso.
De Deus, a homem, de homem a miserável sofredor, de miserável sofredor a um Deus glorioso e vitorioso que venceu todas as batalhas por nós.
Vamos à luta, vamos ao combate com coragem! Ainda temos tempo!
Dodora CCVE

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