1917-2017, Fátima: apelos do amor misericordioso

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1917-2017, Fátima: apelos do amor misericordioso

“Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! ” (Rm 11,33b). Sim, verdadeiramente são impenetráveis para nós os desígnios de Deus, preparados por sua sabedoria e providência. E é assim que Ele se serve dos pequenos, dos fracos, dos pobres para realizar seus propósitos, confundindo os fortes e soberbos.

A história das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal, hoje santuário mundialmente conhecido e visitado, mostra isso de maneira maravilhosa e extraordinária. Três crianças, pastores de ovelhas, como os do evangelho da natividade de Jesus Cristo – Lúcia de Jesus e seus primos Francisco e Jacinta Marto, com 10, 9 e 7 anos, respectivamente, que moravam na aldeia de Aljustrel, freguesia de Fátima – foram os escolhidos para receber a mensagem celeste, que chama mais uma vez a humanidade a voltar-se para Deus.

As visões de um anjo – o Anjo de Portugal ou da Paz, como ele mesmo se apresentou – entre a primavera e o outono de 1916, precederam as aparições da Virgem Santíssima, como uma espécie de preparação para a mesma. Segundo a narrativa da Irmã Lúcia, por três vezes, as crianças viram uma luz mais branca que a neve, com a forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do sol, cujos traços foram distinguindo ante sua aproximação: um jovem dos seus 14 a 15 anos, de uma grande beleza. Ele os convida à oração e reparação ao amor de Deus na Eucaristia, dizendo-lhes “os Corações Santíssimos de Jesus e Maria tem sobre vós desígnios de misericórdia”. 

No ano seguinte, 1917, por seis meses seguidos (nos dias 13 de maio, de junho e de julho; 15 de agosto, e 13 de setembro e outubro), se deram as aparições da Mãe de Deus, sobre uma azinheira ou carrasqueira, no local chamado Cova da Iria, pequena propriedade dos pais de Lúcia, por volta do meio dia. Era diferente o modo com que cada uma das crianças participava da visão, pois enquanto Jacinta via e ouvia Nossa Senhora, Francisco, seu irmão, apenas via e não ouvia. Lúcia era a única que, além de ver e ouvir, também falava com Ela. Dois clarões como de relâmpagos antecediam a manifestação da Virgem Imaculada, a qual, conforme descreve a Irmã Lúcia, era uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. A beleza de sua face era indescritível, porém, não era nem triste, nem alegre, mas séria. Nas mãos postas junto ao peito, como a rezar, havia um rosário. Na primeira aparição, Ela diz: “Não tenhais medo, Eu não vos faço mal. ”  E, à pergunta de Lúcia sobre sua origem, Ela responde: “Sou do Céu”, erguendo a mão para apontar. E continua, dizendo que veio pedir-lhes para irem à Cova da Iria durante seis meses ininterruptos, sempre no dia 13, no mesmo horário.

Nas aparições, Nossa Senhora vai como que desenrolando o fio do plano divino a ser transmitido ao mundo pelas crianças. Ela convida-os a oferecerem-se a Deus, pelo sofrimento, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pelos pecadores. Pede-lhes que rezem o terço todos os dias para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra (1ª guerra mundial). Diz que Jesus queria estabelecer no mundo a devoção ao seu Imaculado Coração, prometendo a salvação a quem a abraçasse. Revela-lhes um segredo, sendo a primeira parte a visão do inferno; a segunda, o anúncio do castigo – guerra, fome, perseguições à Igreja e o Papa – e dos meios de evitá-lo: a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria e a comunhão reparadora nos primeiros sábados de cinco meses seguidos. Já a terceira parte, diria respeito à crise na fé e à Igreja-mártir, parte que demorou mais tempo para ser revelada, o que foi feito no ano 2000, em Fátima, na beatificação de Francisco e Jacinta. Na sétima e última aparição desta série, Nossa Senhora revela-se como Senhora do Rosário, pede que façam ali uma capela em sua honra e anuncia que a guerra vai acabar. É quando acontece também o milagre que Ela havia falado desde o início que faria, para todos acreditarem: o sol mudou de cor, rodopiou, bailou e baixou quase a tocar a terra. Depois do acontecido, presenciado por uma multidão de 50 a 70 mil pessoas, não sobrara vestígio algum da chuva torrencial que estava caindo antes…

Hoje, após 100 anos deste acontecimento, fica para nós essas perguntas: estamos atendendo à exortação que Deus nos faz, através de Nossa Mãe Santíssima? Por acaso o nosso tempo não está marcado pelos males que viriam, caso não nos convertêssemos?

Os apelos do amor misericordioso de Deus Pai continuam, embora o mundo pareça não querer dar ouvidos. Ele continua a oferecer a salvação, dada pelo Coração do seu Filho Jesus, Nosso Senhor, a jorrar Sangue e Água. E nos dá ainda a ajuda e a intercessão materna do Coração Imaculado de Maria, que nos conduz ao Coração de Cristo Salvador.

Não percamos mais tempo! Os Corações Santíssimos de Jesus e de Maria estão à espera da nossa resposta de amor ao seu amor infinito. Não vamos rejeitar tão grande dom, mas abraçá-lo com profunda gratidão e dele nos tornarmos testemunhas!

Que a paz dos Sagrados Corações esteja com você.

Diácono Paulo Bastos, CCVE

(Fonte consultada: As aparições e a mensagem de Fátima, conforme os manuscritos da Irmã Lúcia) 

 

 

 

 

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